ENTREVISTA A HELDER CLARA EX: CAPITÃO DO PORTIMONENSE
Formado nas escolas do Sporting Clube de Portugal, onde jogou ao lado de Luís Figo, Emílio Peixe, Hugo Porfírio e muitos outros futebolistas que fizeram carreira no futebol português.Hélder Clara, médio defensivo que representou o Portimonense, Alverca, Santa Clara e Varzim, aceitou o convite da voz desportiva para nos falar da sua carreira desportiva e da actual situação do Portimonense Sporting Clube, clube que capitaneou durante algumas épocas.
Voz Desportiva – Com que idade chegou ao Sporting, e que importância teve o Sporting na sua formação pessoal e profissional?
Hélder Clara – Cheguei ao Sporting com 12 anos, e o Sporting teve uma importância fulcral na minha formação quer pessoal, quer profissional, onde tive o ENORME prazer de aprender a ser um homem, tendo uma aprendizagem diferente do básico na vertente futebolista.
O facto de poder partilhar a minha juventude com grandes talentos do futebol Nacional e Mundial, ainda deu mais enfase á minha cultura desportiva.
Clube no qual tinha os melhores treinadores a nível Nacional, e que tiveram uma importância vital na minha educação para a vida. Na altura era um clube repleto de pessoas talentosas tanto no nível desportivo, como na vertente educacional e humana.
VD – O futebol é setenta porcento de sorte trinta porcento de talento?
H C – Eu ao longo dos anos fui aprendendo, e é esta a minha opinião, que o futebol atual é quase todo igual, quer em sistemas, quer em futebolistas, e surgindo alguns talentosos jogadores que marcam a diferença em relação á maioria….e pouquíssimos treinadores carregados de talento ….
Em relação á percentagem eu considero que o talento até tem menos percentagem, ou seja para aí uns 15 por cento, a sorte trabalha-se ao longo da semana e da época, através da vontade, do crer, da garra e da persistência….uma grande percentagem eu considero que seja mental….
VD – Nos escalões de formação os jogadores são encaminhados da mesma forma, ou existem atletas tratados de forma diferente?
H C –Na minha altura eramos tratados de igual forma, não havia descriminações de valor e talento….
Hoje em dia não me parece que seja isso que aconteça, mas não tenho uma opinião formada e concreta a esse respeito…..
VD – Terminado o processo de formação. Foi difícil entrar no futebol profissional?
H C- Para mim não foi, mas no estado atual é BASTANTE COMPLICADO lá entrar, visto que as nossas ligas estão repletas de estrangeiros, que na sua maioria têm muito menos valor que o jogador português, mas é o que temos infelizmente, é a pura realidade…
VD– Enquanto jogador, era o treinador no terreno de jogo?
H C – Não creio, poderia ter eventualmente alguma influência devido á minha forma de jogar e de me manifestar, mas não me revia como tal…
VD – Como vê a falta de aposta na formação por parte dos clubes portugueses?
H C – SIMPLESMENTE VERGONHOSO…. Nunca me revi nessa postura e sou e serei absolutamente contra a não aposta na formação dos nossos MUITO BONS JOGADORES NOVOS…os nossos dirigentes têm falta de caracter na sua maioria, e não têm capacidade de decisão própria…são muito influenciados por certos affairs…..enfim
VD – Como vê a situação actual do Portimonense?
H C – Infelizmente o MEU PORTIMONENSE não está numa fase boa, já vai no 3º treinador esta época, e continua no ultimo lugar da tabela, quando se está lá em baixo por incrível que parece tudo corre mal, tudo de errado acontece, e não é nada fácil de sair lá do fundo…Não posso falar do valor da equipa porque conheço muito pouco das suas capacidades e talento…
VD – Estará disponível para ajudar o clube, como dirigente ou mesmo como treinador?
H C – Estarei sempre que me for possível, e confesso que seria mais uma vez UM TREMENDO ORGULHO poder viver ao vivo as sensações indescritíveis que passei, e que com toda a certeza iria passar no NOSSO PORTIMONENSE. Em ambas as funções.
VD – Qual o momento da sua carreira que considera o mais importante?
H C – Creio que tenha sido a passagem da formação ao futebol sénior, depois considero que a minha melhor fase da carreira foi os 5 anos em que representei o PORTIMONENSE SPORTING CLUBE.
VD– Continua ligado ao futebol noutra área de actividade?
H C – Infelizmente não, apenas jogo ainda com um grupo de ex. futebolistas com muita qualidade e que me dá “megabytes” de prazer aos fins-de-semana na INATEL.
VD– Para terminar. Gostava que deixa-se uma mensagem para os adeptos do Portimonense.
H C – Nestas alturas infelizes das equipas de futebol, é que é preciso um apoio incondicional e um incentivar da perspectiva da vitoria no jogo para que se possa ter um maior aproveitamento das qualidades dos atletas, que muito precisam desse apoio, e que na minha opinião e como já referi anteriormente, o futebol é mais mental do que tático, e nisso quero deixar aqui uma referência do GRANDE MISTER AMILCAR DA FONSECA, que era exímio nesse aspecto e que muito valor tem e talvez devesse ser aproveitado … mas é apenas e só a minha opinião.
Bem-haja a todos os sócios e simpatizantes do NOSSO GRANDE PORTIMONENSE. E muitas vitórias até final da época, e quero aqui desejar muita sorte ao Mister Lazaro Oliveira. Um abraço.
Entrevista de Rui Cardoso para a Voz Desportiva




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