VOZ DESPORTIVA DA SEMANA - PEDRO SOLÁ



A Voz Desportiva desta semana é Pedro Solá, treinador leiriense de 40 anos, que na temporada passada orientou o Grupo Desportivo de Peniche no Campeonato de Portugal.
Sobe o seu comando, os penichenses regressaram aos nacionais de futebol, depois de na época 2014/15 terem feito o tripleto nas competições da AF Leiria juntando o prémio individual de melhor treinador dessa época.  
Recentemente, trabalhou como coordenador do futebol de formação da União Desportiva de Leiria.
Bem – Vindo à VD Pedro Solá.

Voz Desportiva – Fale-nos um pouco do seu percurso como treinador.

Pedro Solá  –  Obrigado á Voz Desportiva.

Tudo começou aos 32 anos no Grap - Grupo Recreativo Amigos da Paz em que fiquei a treinar uma equipa de traquinas que acompanhei durante 5 anos.
Aos 35 anos, e depois de um início de época intermitente por parte da equipa sénior do Grap, o Presidente prescindiu dos serviços do treinador e pediu-me, como capitão, para naquela semana dar o treino e acabei por ficar até ao fim.
 Fiz mais uma época no Grap (2012/13), iniciei outra (2013/14) e á 7ª jornada comecei no Alqueidão da Serra, e fiz as  duas ultimas  épocas (2014/15 e 15/16  no GD Peniche.

VD – Depois de várias épocas a treinar futebol de formação, duas épocas no Grap e a passagem pelo Alqueirão da Serra, como surge a oportunidade para treinar o GD Peniche?

Pedro Solá – Fui abordado pelo Presidente João Viola em Junho de 2014…. sinceramente nunca pensei sequer que me conhecessem. Mais tarde vim a saber que ele tinha um dossier completo sobre tudo o que sou…. Como treinador e como homem. Aceitar o projeto foi simples pois era muito ambicioso. E mesmo além da distância, achei que era o projeto ideal para me afirmar. 

VD – Não equacionou continuar em Peniche para tentar o regresso ao Campeonato de Portugal?

Pedro Solá – Depois de uma descida divisão e mesmo que internamente todos soubessem o que e passou, que é o mais importante, não fazia questão de continuar quando se falham objetivos.

VD –  Entretanto surge a União de Leiria para coordenar o futebol de formação, mas acaba por sair. O que é que retirou desta experiência? 

Pedro Solá –  Quando surge o União de Leiria tinha recebido abordagem de  dois clubes da divisão honra de Leiria. Achei que o projeto União de Leiria seria o ideal para dar sequência à minha carreira pois conseguiria  apresentar um trabalho onde em termos de competências seria mais abrangente para curriculum. Fiz um modelo de formação com ideias bem definidas e delineadas, dava formação aos treinadores e acompanhava os treinos de todos os escalões.
O que retiro desta experiência é acima de tudo o que não queremos, pois todos nós sabemos o que queremos e esquecemos por vezes aquilo que não queremos.
Entrei como Pedro Solá e saí como Pedro Solá.

VD – Como é o futebol praticado no distrito de Leiria ao nível da formação e futebol sénior no que à qualidade e competitividade diz respeito? Na sua opinião, surgem bons valores no futebol leiriense?

Pedro Solá –  Na formação penso que começa a haver algum cuidado na forma de saber o que é formar.  Acho que se deveria de dar o "próximo passo", que passa por implementar um modelo de formação em todos os clubes para se formar atletas como se forma na escola. Pois o resultado de um jogo é o "exame" para o que se estuda e pratica. Acho que ainda há a ilusão que o "resultado" forma jogadores e torna os treinadores melhores treinadores. Todos sabemos que na formação o "resultado" é as crianças saberem o que é uma contenção, uma permuta, defender zona, um encurtamento em igualdade ou inferioridade numérica, etc., etc…. Mas compreendo que se viva nessa ilusão de ganhar a qualquer preço por vezes por causa da rivalidade ou egos clubísticos… Penso que se houvesse esse cuidado os melhores tornavam-se ainda melhores e os menos bons tornavam-se melhores.
Nos seniores em termos de qualidade e competitividade a fasquia está alta, pois há bons treinadores a quererem sempre mais, e jogadores com qualidade para jogarem num patamar superior. Sim há bons valores no futebol leiriense.

VD – Quais são as principais características do treinador Pedro Solá?

Pedro Solá –   Para seres treinador, tens de ter uma  ideia, e eu tenho a minha….além de ser líder, sou muito confiante no meu trabalho , tenho energia , tenho capacidade de convencer os meus atletas a se adaptarem às minhas ideias, tenho tolerância à critica, sei lidar com os atletas que jogam e com os que não jogam, estratega, adoro estratégia, e como alguém me disse uma vez…. tenho diariamente uma  "insatisfação positiva", pois ambição é algo inacabado para mim.
Quanto a competência não poderei ser eu a definir.

VD – Anseia pelo regresso ao futebol? Ser treinador é mesmo viciante?

Pedro Solá –  Ser treinador é viciante, quando tens paixão e sabes que é isto que realmente te faz adormecer e querer acordar rapidamente para iniciar o próximo treino ou próximo jogo.
Sinceramente, não anseio regressar só por regressar. Tenho liberdade e à vontade neste momento em pensar que todo este tempo que estou sem treinar me estou a preparar para quando regressar estar mais competente, estudando todos os dias para perceber o jogo cada vez mais, e perceber  o homem enquanto atleta e o atleta enquanto homem. O que tiver que acontecer, acontecerá no tempo certo.

VD – Como é que gere a sua carreira? É fácil conciliar o futebol com outros projetos profissionais?

Pedro Solá –  Neste momento a minha carreira é gerida pelo Sr.  Cesar Boaventura da empresa GIC. Foi a pessoa que acreditou que mesmo parado seria um ativo credível para empresa.

Para terminar a entrevista VD. Defina.

Futebol –  "Paixão, Oxigénio, Emoções"

Ser treinador de futebol – " treinador é um gestor do próprio conhecimento"

A sua ambição no futebol - Ser melhor todos dias

GD Peniche – "Universidade"

União Desportiva de Leiria – Gigante adormecido



Rui Cardoso
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